Direito ao luto e sua repercussão na memória coletiva: um diálogo entre a tragédia de Antígona e a Guerrilha do Araguaia
Adalberto Antônio Batista Arcelo, Paula Christina Silva e Lima
- Autor
- Adalberto Antônio Batista Arcelo, Paula Christina Silva e Lima
- Revista
- Veritas (Porto Alegre)
- Edição
- 70 / 1
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.15448/1984-6746.2025.1.46247
- Páginas
- e46247
- Idioma
- pt
O presente artigo tem por escopo analisar o direito ao luto e a sua influência na formação da memória coletiva. Num primeiro momento, o tema é apresentado a partir da tragédia de Antígona, escrita por Sófocles no século IV a.C. Em seguida, busca-se compreender a relação entre luto e memória fazendo-se referência aos desaparecimentos forçados ocorridos durante a ditadura militar no Brasil, com ênfase ao episódio da Guerrilha do Araguaia. A incursão na questão do luto público se apoia na filosofia política de Judith Butler e nas suas reflexões sobre o enquadramento seletivo que divide as “vidas passíveis de luto” das “vidas não passíveis de luto”. O presente estudo também analisa os riscos de manipulação da memória. A partir de uma pesquisa bibliográfica e documental, e através do diálogo entre a tragédia grega e os desaparecimentos forçados, foi possível compreender como o direito ao luto e seu impedimento pelo Estado afetam a memória coletiva, resultando em esquecimento.
