Voltar para Artigos
Artigos

Do humanismo burguês ao humanismo existencialista: o caminho do intelectual clássico para Sartre

Thana Mara de Souza

Autor
Thana Mara de Souza
Revista
Griot : Revista de Filosofia
Edição
23 / 1
Ano
2023
DOI
10.31977/grirfi.v23i1.3135
Páginas
259-277
Idioma
pt
2023Thana Mara de Souza. Do humanismo burguês ao humanismo existencialista: o caminho do intelectual clássico para Sartre. Griot : Revista de Filosofia, v. 23, n. 1, p. 259-277, 2023.2

Trata-se de compreender a noção de intelectual clássico no pensamento de Sartre, mais especificamente a partir das conferências Plaidoyer pour les intellectuels. Veremos que o percurso de transformação do técnico do saber prático em intelectual se inicia com o desvelamento da contradição da sociedade e de seu próprio papel, na descoberta da falsidade do humanismo burguês, abstrato e excludente. Contra a ideologia que o selecionou e o educou, o intelectual coloca a necessidade de pensar a partir do concreto e das particularidades, o que não implica um relativismo subjetivista. Ao abandonar o universal abstrato, o intelectual propõe, em seu lugar, uma universalização singular, assumindo o paradoxo proposto por Kierkegaard e atualizado por Sartre. Neste sentido, aproximar as conferências de 1965 sobre o intelectual com a conferência sobre Kierkegaard, ministrada no ano seguinte, é fundamental para melhor compreendermos o papel do intelectual clássico e como, no questionamento teórico do falso humanismo da classe dominante e no questionamento prático de suas atitudes cotidianas, ele mantém a ambiguidade entre universal e singular, objetividade e subjetividade. Assim, podemos por fim compreender como o humanismo existencialista se coloca.