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DO IMORFISMO DA CIBERNÉTICA AO MITO DA IA: UMA ABORDAGEM USANDO O PENSAMENTO DE GILBERT SIMONDON

Helano de Sousa Castro

Autor
Helano de Sousa Castro
Revista
Revista Dialectus
Edição
37 / 37
Ano
2025
DOI
10.36517/2025n37id95852
Páginas
24-48
Idioma
pt
2025Helano de Sousa Castro. DO IMORFISMO DA CIBERNÉTICA AO MITO DA IA: UMA ABORDAGEM USANDO O PENSAMENTO DE GILBERT SIMONDON. Revista Dialectus, v. 37, n. 37, p. 24-48, 2025.3

Os recentes avanços em Aprendizado de Máquina (AM), uma tecnologia usada na implementação de Inteligência Artificial (IA), já demonstraram a sua capacidade de impactar positivamente no avanço de várias áreas do conhecimento humano. Ao mesmo tempo, isso tem promovido uma transformação tão profunda, que é ela é comparada à Revolução Industrial do século XIX. Porém, diferentemente daquela, a revolução causada pela IA poderá extinguir postos de trabalho que exigem habilidades e capacidades cognitivas diferenciadas, além de afetar cada aspecto da vida humana de forma ainda mais intensa. Por outro lado, é crescente a difusão de uma crença que ela poderá se tornar uma espécie de pós-humano ou mesmo um "super-homem", e que poderá também pôr em risco a existência humana. Embora as origens dessa crença talvez possam ser rastreadas ao antigo mundo grego, o desenvolvimento da Cibernética a partir dos anos 1940 teve papel decisivo nesse processo ao estabelecer uma analogia que equipara o ser vivo (incluindo o homem) a uma máquina. Ao surgir na metade dos anos 1950, a área de Inteligência Artificial não só encampou essa visão, mas a expandiu nas décadas seguintes, sobretudo na região da Califórnia (EUA) conhecida como Vale do Silício. A proposta desse artigo é refletir sobre essas questões lançando mão do pensamento do filósofo francês Gilbert Simondon, e demonstrar que essa crença faz parte de um mito que se inicia com o estabelecimento de uma analogia infundada, de acordo com o próprio filósofo, entre a máquina e o homem. Na verdade, a IA deve ser reconhecida pelo que realmente é, uma poderosa tecnologia que pode trazer grandes benefícios para humanidade, mas, como ocorreu em outras revoluções tecnológicas, e dependendo da velocidade das transformações e da forma que forem implementadas, seu uso poderá até mesmo esgaçar ainda mais o tecido social, com consequências imprevisíveis.