- Autor
- Luciano Brazil
- Revista
- Perspectivas
- Edição
- 10 / 1
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.20873-rpv10n1-35
- Páginas
- 186-202
- Idioma
- pt
Benjamin em 1940 disse “que não há documento de cultura que também não seja um documento de barbárie”. A julgar por esta afirmação, deveríamos entender este autor como um adepto do realismo. O cinema se aproximaria da história uma vez que em seus milésimos de segundo despontaria o instante revolucionário capaz de nos libertar. Além disto, ele afirmava sobre uma autêntica escrita da história, à parte da história dos vencedores, que seria inautêntica. Walter Benjamin, entretanto, desde o final da década de 1920 desenvolve o tema que poderíamos chamar de “pobreza da experiência”, assim como o “declínio da atividade de narrar”. Ambas estão entrelaçadas e dizem respeito a transformações decisivas na forma de contar histórias e realizar experiências. Parece então que a questão não é tão simples, pois uma “história autêntica” neste sentido teria mais a ver com o poder de narrar e comunicar experiências do que recolher “fatos tais como eles foram”. Quero propor uma abordagem conceitual benjaminiana sobre o cinema propondo uma potência narrativa da visibilidade: muito além de mostrar fatos, os milésimos de segundo do cinema liberam afetos, e, para tal é preciso ir ali onde a ficção e a realidade se imiscuem. Tal forma potente de narrar, pela visibilidade, seria também um antídoto à subserviência da informação, característica dos meios de comunicação atuais. [Reprodutibilidade técnica, fascismo, Benjamin]
