- Autor
- Amélia de Jesus Oliveira
- Orientador(a)
- JOSE CARLOS PINTO DE OLIVEIRA
- Universidade
- UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2012
Pierre Duhem e Thomas Kuhn aparecem como personagens privilegiados nas discussões historiográficas acerca de como a ciência se desenvolve e são classificados, respectivamente, como continuísta e descontinuísta. Este trabalho resulta de uma análise comparativa entre as visões desses dois filósofos e historiadores da ciência. Nosso propósito inicial foi compreender como eles poderiam ter visões tão díspares acerca do desenvolvimento científico, já que ambos são vistos também como participantes do mesmo grupo de filósofos para quem a estreiteza entre a história e a filosofia da ciência é admitida de maneira consensual. A pesquisa inicialmente orientada pela questão ‘Como a ciência se desenvolve?’ em suas obras nos levou a questionar a própria classificação da qual partimos. Na ausência de elementos corroboradores da difundida oposição entre as duas visões históricas, exploramos em suas obras dois eventos tidos comumente como revolucionários na história da ciência – os que levam o nome de Copérnico e Newton. Esse exame possibilitou a descoberta de uma insuspeitada semelhança entre a visão de Duhem e Kuhn acerca do desenvolvimento científico que neutraliza o antagonismo entre continuísmo e descontinuísmo em suas obras. Sustentamos que esse antagonismo resulta de uma abordagem bastante parcial de seus trabalhos em filosofia e história da ciência, uma abordagem que não leva em consideração os contextos diferentes de suas obras. O que observamos é que, em momentos distintos da história da ciência, Duhem e Kuhn acreditaram no rompimento com uma tradição histórica responsável por uma imagem enganadora do modo da ciência se desenvolver e que, portanto, precisava ser ultrapassada. O resultado do trabalho reflete, sim, a tentativa inicial de compreender como se dá o desenvolvimento da ciência em Duhem e Kuhn, mas essa tentativa nos conduziu à necessidade de abandonar as usuais classificações conferidas às suas visões.
