- Autor
- Fabiano Incerti
- Revista
- PENSANDO - REVISTA DE FILOSOFIA
- Edição
- 14 / 31
- Ano
- 2023
- DOI
- 10.26694/pensando.vol14i31.4113
- Páginas
- 44-54
- Idioma
- pt
O objetivo deste artigo é mostrar como a relação entre a voz, a escuta e o caminho são decisivos para o desenrolar trágico do drama edipiano. Desde a escuta do oráculo apolínio, passando pelos vaticínios do vidente cego, Édipo coloca-se a caminho, sempre em busca de encontrar verdadeiramente quem ele é e qual o seu destino. Partindo das leituras foucaultianas e em diálogo com outros estudiosos dessa peça milenar, é possível perceber que o novo modelo judiciário implantado pelo próprio rei de Tebas para descobrir o assassino do antigo soberano, o condena a escutar a palavra da qual, por todo tempo, ele furtou-se. E a salvação da cidade? Esta não passa de um efeito de luzes e sonoridades: uma forma de fazer a verdade surgir para que todos possam vê-la e ouvi-la e, assim, se recuperar a ordem perdida.
