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ÉDIPO REI COMO ACONTECIMENTO NO PENSAMENTO DE MICHEL FOUCAULT

Luís Antônio Francisco de Souza, Renato de Oliveira Pereira, Felipe Casteletti Ramiro

Autor
Luís Antônio Francisco de Souza, Renato de Oliveira Pereira, Felipe Casteletti Ramiro
Revista
Problemata - Revista Internacional de Filosofia
Edição
17 / 1
Ano
2026
DOI
10.7443/problemata.v17i1.74115
Páginas
124-141
Idioma
pt
2026Luís Antônio Francisco de Souza, Renato de Oliveira Pereira, Felipe Casteletti Ramiro. ÉDIPO REI COMO ACONTECIMENTO NO PENSAMENTO DE MICHEL FOUCAULT. Problemata - Revista Internacional de Filosofia, v. 17, n. 1, p. 124-141, 2026.3

O objetivo do presente artigo é apresentar e discutir a contribuição das recorrentes leituras realizadas por Michel Foucault sobre a tragédia Édipo Rei, de Sófocles. Longe das abordagens universalistas e atemporais consagradas por autores como Freud, Lévi-Strauss e Heidegger, Foucault procura recolocar a tragédia em seu horizonte histórico, político e discursivo. Ao fazê-lo, o autor entende a tragédia como acontecimento que constitui um novo regime de veridicção na pólis grega do século V a.C. Para o filósofo francês, a tragédia encena a passagem da profecia para o testemunho no processo de investigação jurídica da verdade. Assim, veremos como Foucault mobiliza a noção de symbolon para pensar a dispersão e a recomposição dos fragmentos de verdade realizada pela investigação encenada na tragédia. É o excesso de saber e poder que faz Édipo perder o trono. Para além disso, ao buscar refinar suas análises, Foucault também pensará Édipo Rei na chave da aleturgia, ou seja, a tragédia não apenas dramatiza uma pesquisa sobre a verdade, mas também se refere aos modos de subjetivação que tensionam o poder e a liberdade.