- Autor
- Nikolay Steffens Martins
- Revista
- ethic@ - An international Journal for Moral Philosophy
- Edição
- 23 / 3
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.5007/1677-2954.2024.e105797
- Páginas
- 256-275
- Idioma
- pt
O artigo sugere que a obra La contre-démocratie, de Pierre Rosanvallon, oferece-nos um interessante conjunto de ferramentas conceituais para pensar a transição entre dois registros ou diferentes interpretações a respeito de estágios distintos das crises das democracias contemporâneas. O primeiro, ao final dos anos 1990, está associado ao horizonte da democratização da democracia. O segundo, nos anos 2010, está vinculado à perspectiva da desconsolidação democrática. No primeiro, a vitalidade das modalidades contra-democráticas (vigilância, impedimento e julgamento), ao organizarem a desconfiança no corpo social, ajudariam a energizar e promover a confiança nas instituições da democracia eleitoral-representativa. No segundo, a hipertrofia das mesmas modalidades promove o impolítico, cuja consequência é a “vampirização total da atividade política pela contra a democracia”. O populismo será uma das expressões dessa patologia da contra-democracia.
