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Epistemologia e psicanálise: Um diálogo entre a filosofia e a psicanálise de Jacques Lacan

LUIZ CARLOS SANTUÁRIO

Tese
Autor
LUIZ CARLOS SANTUÁRIO
Orientador(a)
Ernildo Jacob Stein
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2001
2001LUIZ CARLOS SANTUÁRIO. Epistemologia e psicanálise: Um diálogo entre a filosofia e a psicanálise de Jacques Lacan. 2001. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL, RS. Orientador(a): Ernildo Jacob Stein.3

O objetivo da tese é apresentar uma reconstrução da psicanálise de Jacques Lacan. Na tarefa de desconstruir e reconstruir compreensivamente o objeto abordado, é utilizado o framework da postura transcendental herdeira de Kant, sendo utilizada a figura do amálgama, que procura definir e circunscrever o itinerário de produção do saber lacaniano. O termo amálgama, compreendido como reunião de elementos que, embora diversos, contribuem para formar um todo, possibilita compreender o gesto lacaniano que incorpora saberes oriundos de distintas áreas do conhecimento humano, submetidos ao cadinho da torção lacaniana que, após a indispensável Aufhebung, possibilitou a Lacan a produção de uma ontogênese originalíssima sobre o humano-ser. A metamorfose lacaniana e a conseqüente mudança do destino dos conceitos é uma operação que implica dois momentos: uma revisão dos conceitos em seu campo originariamente constituídos, uma renovação, ampliação e uma Aufhebung da psicanálise freudiana a partir desta operação. O de que se trata a partir desta torção é a produção de elementos possibilitadores da indicação de uma filosofia lacaniana da ontogênese humana, passível de ser forjada à luz de certa concepção dos efeitos da linguagem sobre o homem. Compreende-se, desta forma, a necessidade da produção de um espaço epistemológico específico e adequado à extração do significado da coletânea de conceitos produzidos no campo da psicanálise. A psicanálise é erotologia, ciência do desejo, sendo possível ver, em Lacan, uma onto-ética do desejo humano. Em sua tarefa de auto-imolar-se como executor testamentário e holográfico do significante, indo ao extremo para fazer o significante falar, é inevitável a existência de uma tensão no texto lacaniano como co-extensiva da necessidade de reintroduzir a dessimetria fundadora entre a ek-sistência da linguagem e seu estatuto de funcionamento, dado que sua teoria opera uma exumação do caráter fundador da ordem simbólica enquanto condição de ancoragem do humano-ser. A partir da compreensão do espaço epistemológico específico no qual deve ser situado o saber da psicanálise, torna-se produtiva a noção de inconsciente epistemológico, como sistema de premissas de argumentação que são indispensáveis de levar-se em conta. Este outro espaço epistemológico, solidário à compreensão da eficácia da operatividade da lógica do significante é uma ontologia transcendental, ou antes aquilo que vem no lugar de uma tal ontologia. Trata-se, por conseguinte, não da produção de uma nova ontologia mas da determinação de uma condição epistêmica.