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Escovar a literatura a contrapelo:: espaços de recordação e antimonumentos na poesia de Cora Coralina

Clovis Carvalho Britto, Paulo Brito do Prado, Ludmila Santos Andrade

Autor
Clovis Carvalho Britto, Paulo Brito do Prado, Ludmila Santos Andrade
Revista
Antíteses
Edição
16 / 32
Ano
2023
DOI
10.5433/1984-3356.2023v16n32p674-706
Páginas
674-706
Idioma
pt
2023Clovis Carvalho Britto, Paulo Brito do Prado, Ludmila Santos Andrade. Escovar a literatura a contrapelo:: espaços de recordação e antimonumentos na poesia de Cora Coralina. Antíteses, v. 16, n. 32, p. 674-706, 2023.3

O artigo analisa a literatura da escritora goiana Cora Coralina como um projeto de fabricação de antimonumentos. Ao se tornar uma voz dissonante no espaço literário e eleger os “silêncios da história” como centralidade de sua proposta, a poetiza fabricou um discurso contra hegemônico, exercício que caracterizou pelas ações de amar e cantar “com ternura todo o errado da [sua] terra”.  A análise de alguns poemas e de um conto evidencia o modo como a escritora teceu imagens que corroboram a ideia de antimonumento. Quando contraria a ordem masculina do universo intelectual e ousa dizer, mesmo que proibida, Cora se converte em metáfora e metonímia de memórias subterrâneas. Sua teima em opinar quando ninguém ousava fazê-lo, fez de seu corpo uma âncora daquilo que a sociedade escolhera esquecer, apagar e detratar. Por fim apontamos ser a escritora, mantida viva na literatura e no Museu, um antimonumento, bem como a sua obra, espaços de recordações clandestinas e de lembranças furtivas sobre Goiás e a sociedade dos séculos XIX e XX.