Espírito de comércio ou espírito de conquista? Os termos de um debate filosófico na Histoire des deux Indes
Stéphane Pujol
- Autor
- Stéphane Pujol
- Revista
- Revista Enunciação
- Edição
- 2 / 2
- Ano
- 2023
- DOI
- 10.61378/enun.v2i2.30
- Idioma
- pt-BR
Este artigo apresenta a ideia de que a Histoire philosophique et politique des deux Indes, retomando a oposição entre “espírito de conquista” e “espírito de comércio”, feita por Montesquieu antes de ser consolidada por Benjamin Constant, esforça-se para promover um novo tipo de expansão econômica. Aquele texto pretende prevenir toda tentação de poder adquirido pela força ou pela violência, insistindo, mais frequentemente, sobre os efeitos negativos das conquistas, tanto pelos vencedores quanto pelos povos conquistados. Tudo se passa como se a crítica do “espírito de conquista”, de uma parte, e a refutação do “direito de conquista”, de outra parte, fossem, para Diderot/Raynal, a ocasião para interrogar o princípio de soberania e de se perguntar o que é um governo legítimo. Ou seja, a questão da conquista seria uma outra maneira de colocar a questão do bom governo e de articular certos princípios do direito internacional com uma reflexão sobre o regime político das sociedades modernas e europeias.
