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Espiritualidade política: A partir de Foucault e de Spinoza.

Leon Farhi Neto

Tese
Autor
Leon Farhi Neto
Orientador(a)
Alessandro Pinzani
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA — UFSC
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2012
2012Leon Farhi Neto. Espiritualidade política: A partir de Foucault e de Spinoza.. 2012. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA, SC. Orientador(a): Alessandro Pinzani.2

O propósito desta tese é a constituição de uma ideia de """"espiritualidade política"""". Esta expressão foi utilizada por Michel Foucault em apenas duas ocasiões: no contexto de uma série de reportagens sobre o acontecimento da Insirreição Iraniana de 1978-1979; e, posteriormente, de maneira sumária, para definir um tipo de relação entre vontade, verdade e governo de si e dos outros. Devido a este escasso uso, foi preciso explorar diferentes pistas. O resultado desta exploração perfaz a primeira parte de nosso estudo, em que a nossa expressão titular é referida a outra noções em Foucault, como a """"atitude crítica"""" e o """"nexus verdade-poder-sujeito"""". Como pontos de apoio, são explorados o momento insurrecional iraniano e o pensamento político de Khomeini e de Shari'ati. A radicalização dos termos envolvidos na definição foucaultiana de """"espiritualidade política"""" nos deixa às postas de uma ontologia, que, para Foucault, entretanto, só se analisa como ficção. Munidos com a ideia de ficção, então, abordamos, na segunda parte deste estudo, alguns elementos da filosofia de Spiniza. A ontologia de Spinoza pertence a seu projeto ético-político de constituição erítica do verdadeiro, pelo conhecimento da união da mente com a natureza toda. União que se dá, como numa dobra pela qual e na qual se conectam à causalidade externa e a interna, na relação indissociável entre o nexos de causas e o conatus, segundo os três aspectos do real - o atributo, o modo infinito imediato e o mediado - que correspondem, no modo finito singular, à sua intensão, à sua forma e à sua extensão. A teoria do indivíduo, aplicada aos corpos políticos, apresenta as formas dos impérios como singularidades. Se, por um lado, as partes componentes do corpo político estabelecem umas com as outras relações sempre também passionais, por outro, são as ações livres de todas as suas partes juntas que explicam o processo de individuação de uma nova forma de império. É esse processo de individuação de uma potência não capturada e livre que nos permite conceber a ideia de """"espiritualidade política"""" a partir de Spinoza.