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Estátua de terra versus boneco de carne: uma antropologia filosófica em Descartes?

José Marcelo Siviero

Autor
José Marcelo Siviero
Revista
Cadernos Espinosanos
Edição
54
Ano
2026
DOI
10.11606/issn.2447-9012.espinosa.2026.243396
Páginas
57-84
Idioma
pt-BR
2026José Marcelo Siviero. Estátua de terra versus boneco de carne: uma antropologia filosófica em Descartes?. Cadernos Espinosanos, n. 54, p. 57-84, 2026.3

A pergunta que guia nosso trabalho é: é possível existir um esboço, ainda que rudimentar, de uma antropologia filosófica em sentido lato, isto é, uma caracterização e um exame dos problemas próprias à humanidade, na filosofia cartesiana? Há condições histórico-concretas e meios possíveis de encontrar e exprimir este viés, sem resvalar num discurso anacrônico? Reconstituímos aqui um trajeto que vai desde as caracterizações da mecânica fisiológica e da materialidade corporal até a moral associada à medicina e à fundamentação metafísica da dualidade substancial do sujeito, para descobrir, sob o substrato do que se considerava a união confusa, o nexo indefectível do sujeito com o real de que o cartesianismo é tributário, mesmo que o ignore ou não o saiba.