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ESTILO E VERDADE NA PERSPECTIVA DA CRÍTICA LACANIANA À METALINGUAGEM

GILSON DE PAULO MOREIRA IANNINI

Tese
Autor
GILSON DE PAULO MOREIRA IANNINI
Orientador(a)
VLADIMIR PINHEIRO SAFATLE
Universidade
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2009
2009GILSON DE PAULO MOREIRA IANNINI. ESTILO E VERDADE NA PERSPECTIVA DA CRÍTICA LACANIANA À METALINGUAGEM. 2009. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, SP. Orientador(a): VLADIMIR PINHEIRO SAFATLE.3

Este trabalho examina o problema das relações entre estilo e verdade a partir da perspectiva da crítica à metalinguagem, levada a efeito por Jacques Laca. O ponto de partida da reflexão é a detecção de uma dupla injunção da verdade na reconstrução lacaniana da psicanálise: (i) há verdade; (ii) não há verdade da verdade. Essa dupla injunção empresta à concepção lacaniana de verdade um caráter também duplo, ao mesmo tempo dialético e cético: a verdade é um processo estruturado; não há critérios gerais de validação de verdades. Assim, a principal nota característica da verdade tal como vista por Lacan é sua resistência ao saber. O objetivo central do trabalho é esclarecer e desdobrar o impasse contido na pergunta: o que significa afirmar a verdade sem o apoio de uma metalinguagem, ou seja, sem que seja possível dizer a verdade sobre a verdade? Trata-se, portanto, de investigar as principais vertentes da tese lacaniana da irredutibilidade da verdade ao saber, destacando não apenas a dimensão clínica do problema, mas também aspectos epistemológicos, ético-políticos e estéticos. Três eixos de pesquisa estruturam os capítulos da tese: (1) a crítica à metalinguagem como condição de posição do problema da verdade e de suas relações com o saber; (2) o lugar da psicanálise em relação à ciência e os limites de uma abordagem epistemológica da racionalidade psicanalítica; (3) as implicações da impossibilibdade da metalinguagem e da correlativa irredutibilidade da verdade ao saber na própria Dichtung lacaniana, i.e., os efeitos discursivos e estilísticos da refração da verdade. A principal tese defendida, consideradas a impossibilidade da metalinguagem e o consequente co-funcionamento de ciência e estilo na prática discursiva e na escritura conceitual da psicanálise, é a de que o semi-dizer é a lei formal de enunciação e de escrita da verdade. Parte considerável dessa reflexão constrói-se sob o fundo das discussões sobre os limites do dizer e o estatuto da verdade na filosofia contemporânea, buscando contrastar a perspectiva lacaniana principalmente a aspectos pontuais do pensamento de Heidegger e de Wittgenstein. Subsidiariamente, este trabalho sugere ainda três resultados: (i) demonstra que a crítica à metalinguagem é uma das teses mais estáveis do pensamento de Lacan; (ii) mostra os limites da crítica wittgensteiniana da psicanálise e (iii) aponta os limites de uma abordagem estritamente epistemológica da racionalidade psicanalítica.