Faculdade do espírito e riqueza material: face e verso do conceito """"Vermögen"""" na Filosofia de Hegel
Jose Pinheiro Pertille
- Autor
- Jose Pinheiro Pertille
- Orientador(a)
- Denis Lerrer Rosenfield
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL — UFRGS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2005
O objetivo desta Tese de Doutorado é mostrar, a partir do duplo sentido do conceito Vermögen, um aspecto fundamental na articulação promovida pelo sistema hegeliano entre o espírito subjetivo e o espírito objetivo. Na língua alemã, o substantivo Vermögen possui dois sentidos diferentes: o primeiro é o de “faculdade, poder, capacidade”, assim como aparece nas definições do pensamento ou da vontade enquanto as duas “faculdades” da alma humana; o segundo é o de “riqueza, fortuna, bens”, como quando se fala das “riquezas” produzidas pela sociedade. O emprego teórico dos sentidos diversos deste conceito aparece, separadamente, nas doutrinas da psicologia (racional ou empírica) e da economia política. Hegel apropria-se dessas duas conotações, mas, como observa-se na evolução de sua filosofia, particularmente em suas Lições sobre a Filosofia do Direito, ele passa a se valer daquela ambigüidade para mostrar como a verdade das faculdades da alma está em sua expressão na objetividade social, ao mesmo tempo em que a produção das riquezas vincula-se essencialmente às potencialidades subjetivas. O trabalho divide-se em três partes: a primeira trata do “espírito especulativo da língua alemã”, a segunda analisa o aspecto subjetivo do conceito Vermögen como “faculdade ou potência da alma”, e a terceira investiga seu aspecto objetivo de “riqueza social”. A tese foi orientada pelo prof. Denis Lerrer Rosenfield, e também incluiu-se nas atividades do Grupo de Pesquisa Normes, Sociétés, Philosophies da Universidade de Paris 1, Panthéon – Sorbonne, sob a supervisão do prof. Jean-François Kervégan. Em um viés considerado original, a posição do problema apareceu como um capítulo da obra coletiva Hegel, Penseur du Droit (org. J.-F. Kervégan & G. Marmasse. Paris: CNRS Editions, 2004, p. 179-91). Em suma, a idéia é que, a partir do torneamento do conceito Vermögen, apresenta-se um caminho profícuo para a compreensão da filosofia especulativa em sua negação das perspectivas que antagonizam os campos da subjetividade e da objetividade, sendo então possível visualizar claramente a via de raciocínio que suspende a dicotomia entre o espiritual e o material, uma condição essencial para a efetivação da liberdade na acepção hegeliana. Deste modo, uma análise conceitual e filosófica do que é o Vermögen conduz ao reconhecimento da efetiva conexão entre as faculdades subjetivas e a sua expressão em uma riqueza objetiva, bem como da influência da riqueza objetiva sobre a formação das faculdades subjetivas. As faculdades do espírito e as riquezas materiais são assim os dois lados de uma mesma moeda: elas formam a face e o verso do conceito Vermögen.
