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FAKE NEWS E INFOCRACIA:: CRISE EPISTÊMICA E DESAFIOS À DEMOCRACIA NA ERA DIGITAL

Vagner Gomes Ramalho

Autor
Vagner Gomes Ramalho
Revista
Eleuthería - Revista do Mestrado Profissional em Filosofia da UFMS
Edição
10 / 18
Ano
2025
DOI
10.55028/6ydp6g85
Páginas
122-138
Idioma
pt
2025Vagner Gomes Ramalho. FAKE NEWS E INFOCRACIA:: CRISE EPISTÊMICA E DESAFIOS À DEMOCRACIA NA ERA DIGITAL. Eleuthería - Revista do Mestrado Profissional em Filosofia da UFMS, v. 10, n. 18, p. 122-138, 2025.2

Este artigo investiga o papel estrutural das fake news nos ecossistemas digitais contemporâneos, argumentando que a desinformação não é meramente um subproduto das redes sociais, mas um sintoma de uma crise epistêmica mais profunda, possibilitada pela governança algorítmica (Han, 2022) e pela comodificação da atenção (Morozov, 2018). A partir de uma abordagem interdisciplinar que articula filosofia política e estudos de mídia, analisamos como a erosão da verdade no discurso público – compreendida como pós-verdade (McIntyre, 2019) – se entrelaça com o surgimento da infocracia: um regime em que o capitalismo de dados, e não a deliberação democrática, molda a realidade coletiva. Tomando o contexto brasileiro (como as eleições de 2018 e os ataques antidemocráticos de 2023) como estudo de caso, demonstramos como as arquiteturas das plataformas amplificam a polarização afetiva enquanto minam a integridade do debate público. Metodologicamente, o artigo combina crítica conceitual (de teóricos como Byung-Chul Han e Evgeny Morozov) com análise discursiva de exemplos empíricos, expondo o ciclo vicioso entre design algorítmico, manipulação política e o colapso dos padrões epistêmicos compartilhados. Por fim, propomos que a restauração da “integridade da rede” – conceito vinculado ao ethos científico original da internet – exige repensar a governança tecnológica para além das lógicas de mercado, privilegiando modelos que priorizem a resiliência democrática em detrimento das métricas de engajamento.