Fenomenologia nas 'philosophische bemerkingen': tempo, cor e figuração
BENTO PRADO DE ALMEIDA FERRAZ NETO
- Autor
- BENTO PRADO DE ALMEIDA FERRAZ NETO
- Orientador(a)
- LUIZ HENRIQUE LOPES DOS SANTOS
- Universidade
- UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2001
Este trabalho parte da vertente epistemológica da filosofia de Gaston Bachelard para chegar, atravessando praticamente toda a obra poética do filósofo, em suas últimas obras, as quais se encontram sob o signo do poético. A ciência contemporânea encontra-se num elevado nível de desenvolvimento, seu progresso causaria espanto ao filósofo que se propusesse a aprender com as lições de revolução espiritual que as ciências físicas e químicas matemáticas oferecem. O materialismo racional e o racionalismo aplicado comprovam que teoria e experimentação estão profundamente imbricadas, fundidas. Mas o progresso da ciência não deve mascarar o pano de fundo onde germinam as imagens. Antes mesmo que tenhamos acesso à ciência evoluída é preciso que nos disponhamos a uma catarse intelectual e afetiva. Seria indispensável que empreendêssemos uma psicanálise que desentravasse o conceito de seus obstáculos e que também encarasse a imagem como produto direto da imaginação. A imaginação encontra suas raízes num terreno comum entre o homem e o cosmos. Esta carne comum, os elementos, são poderes de convicção imaginária que especificam o psiquismo humano. Longe de considerarmos a imaginação tributária da percepção, devemos restaurar a sua autonomia e sua complementaridade com a função do real. A imaginação (função do irreal) nos abre um reino de linguagem totalmente desembaraçado dos automatismo, até mesmo os da linguagem. O benefício psíquico da poesia está em proporcionar uma participação conjunta das duas função do psiquismo: a do real e a do irreal. Mas se a linguagem deve ser dinamizada pela dupla atividade da significação e da poesia, é pelo engajamento total do ser imaginante que encontramos a verdadeira atmosfera do falar poético, conquista positiva da palavra. As imagens poéticas estão resolutamente liberadas tanto da carga da paixão quanto do ímpeto do desejo. Em sua expressão, a imagem é uma """"linguagem criança"""".
