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G.E.M. ANSCOMBE, INTENÇÃO E O CASO EICHMANN: UMA ANÁLISE DO DUPLO EFEITO

Jeferson de Moraes Reis

Autor
Jeferson de Moraes Reis
Revista
Kínesis - Revista de Estudos dos Pós-Graduandos em Filosofia
Edição
17 / 43
Ano
2026
DOI
10.36311/1984-8900.2025.v17n43.p170-181
Páginas
170-181
Idioma
pt
2026Jeferson de Moraes Reis. G.E.M. ANSCOMBE, INTENÇÃO E O CASO EICHMANN: UMA ANÁLISE DO DUPLO EFEITO. Kínesis - Revista de Estudos dos Pós-Graduandos em Filosofia, v. 17, n. 43, p. 170-181, 2026.2

Analisa a relação entre a Doutrina do Duplo Efeito (DDE), de raiz tomista, e a filosofia da ação desenvolvida por G.E.M. Anscombe em sua obra Intenção (1957). Partindo da crítica anscombiana ao consequencialismo, argumenta-se que uma aplicação rigorosa da DDE exige a compreensão da ação intencional tal como descrita por Anscombe. Ressalta que a distinção entre efeitos intencionados e efeitos apenas previstos é fundamental para a avaliação moral das ações, especialmente em contextos que envolvem decisões éticas complexas. Para ilustrar essa problemática, discute-se o caso de Adolf Eichmann, a partir da análise de Hannah Arendt, identificando na linguagem moralmente neutra do réu um exemplo de descrição da ação que mascara sua responsabilidade moral. Conclui-se que, sem uma descrição que considera as circunstâncias da ação, a intenção pode ser manipulada ou dissimulada, comprometendo a avaliação ética e obscurecendo os limites entre o que é permitido e o que é moralmente condenável.