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Giordano Bruno diante do espelho: A ceia de cinzas

Ideusa Celestino Lopes

Autor
Ideusa Celestino Lopes
Revista
Kalagatos
Edição
17 / 1
Ano
2021
DOI
10.23845/kalagatos.v17i1.6364
Páginas
24-36
Idioma
pt
2021Ideusa Celestino Lopes. Giordano Bruno diante do espelho: A ceia de cinzas. Kalagatos, v. 17, n. 1, p. 24-36, 2021.3

Resumo: Giordano Bruno (1548 – 1600) é um pensador que usa o recurso autobiográfico em várias obras, especialmente nos textos publicados em italiano entre os anos de 1584 a 1586. O recurso ao gênero autobiográfico ou do autorretrato está presente na obra de vários intelectuais entre o período Renascentista e a Modernidade. Neste artigo investigamos o uso dessa técnica na obra A ceia de Cinzas publicada em 1584. Neste texto Bruno é o personagem principal, mas ele participa da trama de modo indireto, ou seja, as ações e acontecimentos nos quais está envolvido são narrados por um dos personagens, Teófilo, o seu porta-voz. No início dos diálogos, Teófilo ao ser indagado sobre quem é Bruno, responde que é alguém “tão próximo de mim quanto eu mesmo” (BRUNO, 2012, p. 27). Ao longo do texto apresenta várias imagens de si mesmo: escolhido pelos deuses, destemido, humilde. Nossa investigação teve como ponto de partida indagar sobre quanto de verdade essas autodescrições continham, se correspondiam à verdade ou se eram apenas um recurso literário em Bruno.  Identificamos que apesar de vários fatos relatados apresentados sobre a sua trajetória pessoal serem verdadeiros, Bruno não utiliza a autobiografia para expor a sua história de vida num primeiro plano, mas para apresentar a sua filosofia, num debate constante com a tradição filosófica em particular a aristotélica. A auto representação não é uma construção uniforme, que ao longo dos textos, Bruno se apresenta e se deixa conhecer, mas é possível identificar uma pluralidade de representações, talvez porque a intenção de Bruno não seja apresentar-se como indivíduo, mas como filósofo que tem uma missão a ser realizada, que não passa necessariamente pela relação entre existência, obra e escrita.