GOVERNAMENTALIDADE ALGORÍTMICA: OS ALGORITMOS COMO DISPOSITIVOS DE SUBJETIVAÇÃO
Rone Eleandro dos Santos, Larissa de Bem Nacif
- Autor
- Rone Eleandro dos Santos, Larissa de Bem Nacif
- Revista
- Kínesis - Revista de Estudos dos Pós-Graduandos em Filosofia
- Edição
- 17 / 43
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.36311/1984-8900.2025.v17n43.p354-381
- Páginas
- 355-382
- Idioma
- pt
Este artigo discute a noção de governamentalidade algorítmica, investigando como os algoritmos são específicos em dispositivos de poder e subjetivação na sociedade contemporânea. A partir de Michel Foucault e das leituras de Gilles Deleuze, Giorgio Agamben, Antoinette Rouvroy e Thomas Berns, analisa-se de que modo os sistemas algorítmicos ultrapassam a função técnica de processamento de dados, convertendo-se em mecanismos de regulação social e produção de subjetividades. Esses sistemas modelam comportamentos, organizam fluxos informacionais e induzem práticas cotidianas, incidindo diretamente sobre as experiências individuais e coletivas. O texto articula a perspectiva foucaultiana da governamentalidade com abordagens contemporâneas sobre inteligência artificial e datificação, evidenciando os impactos dos algoritmos na constituição de novas formas de poder e controle. Em diálogo com Mendonça, Filgueiras e Almeida, adota-se uma noção de institucionalismo algorítmico, segundo a qual os algoritmos atuam como forças institucionais capazes de estabelecer regras e estruturas sociais. Conclui-se que os algoritmos não refletem apenas racionalidades técnicas, mas instituem regimes normativos que reconfiguram o espaço social e político, exigindo uma reflexão crítica sobre seus efeitos na formação das subjetividades e na redefinição das normas que organizam a vida coletiva.
