Voltar para Artigos
Artigos

Guy Debord e o Estruturalismo: para a crítica do “baixo clero” universitário

Davi Galhardo

Autor
Davi Galhardo
Revista
Sofia
Edição
15 / 1
Ano
2026
DOI
10.47456/sofia.v15i1.48915
Páginas
e15148915-e15148915
Idioma
pt-BR
2026Davi Galhardo. Guy Debord e o Estruturalismo: para a crítica do “baixo clero” universitário. Sofia, v. 15, n. 1, p. e15148915-e15148915, 2026.3

Após quase três décadas desde que a primeira edição brasileira de La société du spectacle (1967) veio a público, em 1997, com uma tradução assinada por Estela dos Santos Abreu (1932-) e em virtude dos esforços do selo carioca Contraponto, fundado por César de Queiroz Benjamin (1954-), é lícito dizer que o ‘livro de teoria’ da Internacional Situacionista (1957-1972) gerou um impacto significativo na cena pública tupiniquim. Desde então, o teórico crítico francês passou a penetrar cada vez mais no imaginário político e acadêmico do nosso país, ensejando ações político-culturais e publicações versando sobre os mais distintos aspectos de sua obra. Presentemente, contudo, gostaria de sublinhar que há ainda uma faceta desta obra carente de discussões mais robustas entre nossos pares, a saber, a crítica debordiana ao Estruturalismo francês. Para alcançar esse objetivo, investigarei aqui alguns poucos parágrafos do livro de 1967 e três epístolas sobre Louis Althusser (1918-1990) que constam na correspondência de Debord. Esse material será confrontado com algumas passagens curtas e cruciais de obras de expoentes do próprio Estruturalismo da França dos anos 1950 e 1960, notadamente Roland Barthes (1915-1980) e o próprio Louis Althusser. Nessa reflexão filosófica tomo como chave de leitura e leitmotiv o equívoco da tradução brasileira que considerou o Estruturalismo como o ‘pensamento universitário do baixo clero’, ao invés do ‘pensamento universitário dos quadros médios’. A contribuição teórica original e hipótese do presente ensaio interpretativo, portanto, visa mostrar a fecundidade do viés metodológico debordiano do desvio (détournement) como chave de leitura para o terreno da história hodierna, considerando que a intelectualidade brasileira ainda segue profundamente marcada pela influência Estruturalista. Grosso modo, Debord destacou que, sob outro ponto de vista, erros e fracassos podem transformar-se em vitórias. Com efeito, esse procedimento poderá ser expandido em lutas históricas vindouras e, quiçá, na transformação da vida social como conhecemos agora.