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Hannah Arendt e a Terra

Romildo Gomes Pinheiro

Autor
Romildo Gomes Pinheiro
Revista
Princípios: Revista de Filosofia (UFRN)
Edição
27 / 54
Ano
2020
DOI
10.21680/1983-2109.2020v27n54ID19639
Páginas
65-85
Idioma
pt
2020Romildo Gomes Pinheiro. Hannah Arendt e a Terra . Princípios: Revista de Filosofia (UFRN), v. 27, n. 54, p. 65-85, 2020.3

A referência ao envio de um objeto terrestre (earth-born) que introduz o prólogo de A Condição Humana constitui uma referência importante para o entendimento do Prólogo da obra. Mais notadamente, sobre o conceito de Terra, cuja aparição ao longo do Prólogo da obra não é explicada. Para tanto, nós nos propomos argumentar neste ensaio que o conceito de Terra como a expressão da condição humana exposto no Prólogo, “replica” uma discussão de Husserl e Heidegger em torno do conceito de Terra nos idos de 1935 na Alemanha. Para retraçar este paralelo, duas referências serão fundamentais: em primeiro lugar o texto de Husserl La terre ne se meut pas; em segundo lugar, o ensaio de Heidegger L’origine de l’oeuvre d’art. À luz da posição de Husserl e Heidegger, a posição de Arendt constitui um ponto de vista relevante dentro do debate político do pós-guerra, notadamente se a compararmos com a leitura de Heidegger sobre a Terra no contexto da técnica contemporânea