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HERMENÊUTICA, CRÍTICA DA IDEOLOGIA E RECONSTRUÇÃO: SOBRE AS CRÍTICAS DE HABERMAS A GADAMER

Felipe Ribeiro

Autor
Felipe Ribeiro
Revista
Kínesis - Revista de Estudos dos Pós-Graduandos em Filosofia
Edição
12 / 31
Ano
2020
DOI
10.36311/1984-8900.2020.v12n31.p409-443c
Páginas
409-443
Idioma
pt
2020Felipe Ribeiro. HERMENÊUTICA, CRÍTICA DA IDEOLOGIA E RECONSTRUÇÃO: SOBRE AS CRÍTICAS DE HABERMAS A GADAMER. Kínesis - Revista de Estudos dos Pós-Graduandos em Filosofia, v. 12, n. 31, p. 409-443, 2020.3

O artigo busca reconstruir e avaliar as críticas endereçadas por Habermas contra Gadamer, quando da controvérsia entre ambos, no fim dos anos 60. As críticas de Habermas são duplas. Por um lado, veremos que ele aponta a presença de um momento falseável no conceito hermenêutico de consciência histórica, já que expõe que a tradição não é, como quer Gadamer, resultado do livre consenso, mas uma forma distorcida de comunicação, fato este só diagnosticável por uma “sociologia da atualidade”. Por outro, teremos um momento normativo da crítica, que busca mostrar que uma vez que o critério normativo do consenso possível não é mais a tradição, ele terá antes seu lugar nas regras formais pressupostas intuitivamente por todo falante competente, o que será material das assim chamadas “reconstruções racionais”. Em ambos casos, Habermas busca empreender uma crítica imanente à hermenêutica de Gadamer, isto é, busca elaborar suas virtudes críticas para além de seus quadros referenciais. Veremos, no entanto, que não deixa de haver certa tensão entre ambos momentos, pois enquanto a “sociologia da atualidade” proposta por Habermas ainda se encontra muito próxima do programa de conhecimento e interesse, que busca reconstruir um contexto objetivo a partir do nexo entre linguagem, dominação e trabalho, o segundo texto, que antecipa a ideia de “reconstrução racional”, se afasta desse modelo, propondo uma abordagem teórica da linguagem que retoma pretensões teóricas fortes e não ligadas imediatamente à práxis, o que pode ser visto como uma certa recaída aquém de um paradigma hermenêutico.