- Autor
- Cecília M. de B. Orsini
- Revista
- Revista Limiar
- Edição
- 10 / 20
- Ano
- 2023
- DOI
- 10.34024/limiar.2023.v10.18898
- Páginas
- 349-362
- Idioma
- pt
Este artigo pretende refletir acerca do surgimento da escuta psicanalítica da neurose, no interior de um discurso médico que não dispunha de recursos eficientes para o tratamento das moléstias nervosas e desprezava a histeria. Nessa direção, procura evidenciar o modo pelo qual Freud inaugura uma prática e um discurso inéditos no pensamento ocidental e, ao mesmo tempo, consegue formular problemas que continuam atuais no que concerne ao sofrimento psíquico, o que faz dele um clássico. Simultaneamente, analisa a linguagem de Freud à luz dos estudos epistemológicos que apontam para uma mescla da linguagem científica do século XIX com seus conceitos e práticas próprias. A consciência dessa inaudita mistura confere maior inteligibilidade a seus textos, aspecto que, se ausente, ofereceria muitos obstáculos à leitura da obra freudiana. Assim, Freud faz lembrar a extraordinária invenção de Guimarães Rosa, que une a linguagem erudita à fala oral do sertão mineiro.
