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Holismo semântico moderado

Kênio Angelo Dantas Freitas Estrela

Autor
Kênio Angelo Dantas Freitas Estrela
Revista
Veritas (Porto Alegre)
Edição
71 / 1
Ano
2026
DOI
10.15448/1984-6746.2025.1.47720
Páginas
e47720
Idioma
pt
2026Kênio Angelo Dantas Freitas Estrela. Holismo semântico moderado. Veritas (Porto Alegre), v. 71, n. 1, p. e47720 , 2026.3

Este artigo defende uma versão moderada do holismo semântico, com base na proposta de Henry Jackman. Após distinguir atomismo, molecularismo e holismo como posições fundamentais sobre o significado, o texto apresenta as origens e críticas ao holismo radical — especialmente os argumentos de Fodor e Lepore contra a tese de instabilidade. Em seguida, analisa três modelos contemporâneos que reformulam o holismo sem incorrer em seus compromissos mais problemáticos: Ted Warfield, com a noção de superveniência inferencial; Peter Pagin, ao compatibilizar holismo e composicionalidade; e Jackman, que desenvolve um contextualismo metasemântico robusto. A tese defendida é que os significados linguísticos dependem de redes conceituais e contextuais, mas sem exigir interdependência irrestrita entre todos os elementos da linguagem. O modelo de Jackman destaca-se por introduzir o peso relativo das crenças, o princípio de caridade e a expectativa de convergência interpretativa, explicando como a estabilidade semântica é preservada mesmo diante da variabilidade contextual. O artigo apresenta formalizações que modelam o significado como função de contexto e crenças, e como conjunto ponderado de inferências relevantes. Essas ferramentas analíticas são aplicadas a fenômenos linguísticos evidenciando o poder explanatório da proposta. Ao articular significado, contexto e práticas discursivas, o holismo semântico moderado emerge como uma alternativa teórica sólida e refinada para compreender a dinâmica semântica das línguas naturais.