- Autor
- Cristiane Nascimento
- Revista
- Revista Limiar
- Edição
- 5 / 10
- Ano
- 2018
- DOI
- 10.34024/limiar.2018.v5.9497
- Páginas
- 166-182
- Idioma
- pt
O tratado Da Pintura Antiga, de Francisco de Holanda, partilha com os escritos humanistas do século XV uma relação encomiástica e prescritiva com a Antiguidade, considerada tanto exemplo das excelências do passado, quanto relíquias antigas a serem imitadas pelos modernos. Assim, Holanda recomenda ao pintor que se exercite na imitação dessas relíquias e aprenda com elas os preceitos da pintura antiga a fim de tornar-se ele próprio um novo exemplo a ser imitado. Os preceitos que Holanda destaca nestas relíquias, contudo, foram recolhidos por ele da erudição literária humanista a propósito da arte antiga e não diretamente da imitação delas. Portanto, a imitação da Antiguidade, tal como a prescreve Holanda, longe de limitar o pintor a reproduzir pedestremente as obras antigas, incita-o a emular os antigos seja na excelência da arte, seja na glória e fama alcançada pelos artistas.
