- Autor
- Ulysses Ferraz
- Revista
- Trans/Form/Ação
- Edição
- 48
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.1590/0101-3173.2025.v48.n4.e025194
- Páginas
- e025194
- Idioma
- pt
O artigo examina de que modo a teoria da justiça de John Rawls pode orientar respostas normativas, diante de contextos de injustiças persistentes. O ponto de partida é o modelo de Pablo Gilabert, o qual oferece um enquadramento metodológico – o ponto de vista transicional – para pensar a passagem entre princípios ideais e processos de transformação social, servindo aqui como introdução conceitual ao problema do manuscrito. A partir desse horizonte, o texto analisa diferentes abordagens voltadas à ação em face da injustiça, mostrando sua compatibilidade com a justiça como equidade e a possibilidade de articulá-las de modo complementar. São discutidas, nesse percurso, a desobediência civil e a resistência militante (Lyons, Kaufman, Chambers), as reparações por injustiças históricas (Shelby), as estratégias de superação de regimes capitalistas (Wright) e a proposta de uma sociedade do autorrespeito (Wenar). O argumento central é que essas teorias, embora distintas em seus âmbitos – político, corretivo, institucional e cultural –, podem ser compreendidas como expressões convergentes de uma orientação normativa rawlsiana voltada à transformação social. A utopia realista, nesse contexto, funciona como princípio unificador de uma justiça dinâmica, capaz de integrar resistência, reparação e reforma, sem ruptura da coerência teórica. Submissão: 28/8/2025 – Decisão: 30/9/2025 – Revisão: 13/10/2025 – Publicação: 3/11/2025
