- Autor
- Carlos Henrique Machado
- Revista
- Argumentos - Revista de Filosofia
- Edição
- 18 / 1
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.36517/arf.v18i1.95937
- Páginas
- 179-189
- Idioma
- pt
Este artigo investiga a noção de instauração a partir da filosofia de Étienne Souriau e sua reinterpretação por David Lapoujade, abordando os modos de existência como formas específicas, precárias e contingentes de tornar-se real. Tais modos se vinculam a abordagem de Michel Foucault sobre a vida dos homens infames, que nos ajuda perceber essas existências frágeis, captadas nos limiares do discurso, e a reconhecer nelas uma força que não reside em sua visibilidade, mas em sua persistência. Procuramos introduzir o conceito de instauração com um modo de formalização de existências ainda incompletas, que buscam atualizar sua potência de vida. Veremos como se pode tornar sensível o direito de existir de seres ainda em formação, ampliando sua consistência e visibilidade. Concluímos que instaurar é também resistir à ignorância e ao apagamento, tornando-se, portanto, um gesto ontológico de defesa e afirmação de outras maneiras de existir.
