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JULIETTE OU A LIBERTINAGEM FEMININA

Elizângela Inocêncio Mattos

Autor
Elizângela Inocêncio Mattos
Revista
Sapere Aude
Edição
2 / 2
Ano
2025
DOI
10.5752/P.2177-6342.2025v2n2p312-322
Páginas
312-322
Idioma
pt
2025Elizângela Inocêncio Mattos. JULIETTE OU A LIBERTINAGEM FEMININA. Sapere Aude, v. 2, n. 2, p. 312-322, 2025.3

Na obra do Marquês de Sade, a personagem Juliette representa o êxito de um espírito livre em oposição as desavenças da virtude vividas por sua irmã, Justine. Ao tomar o vício como elemento constituinte da vida humana, realiza o intento em demonstrar como o egoísmo caracteriza suas aspirações, operando nela a libertinagem. O propósito do presente texto é discutir como a libertinagem ocorre em Juliette, sob a hipótese de que a possibilidade de um espirito livre não depende do gênero, mas da capacidade e do alcance de cada um a partir da própria característica e dose de energia. Ademais, a mulher colocada no centro da realização libertina reforça a subversão operada pelo autor quanto ao lugar de homens e mulheres na realização da libertinagem, enfatizando a natureza como causa eficiente de suas próprias obras. A figura feminina em Sade tanto em Juliette como nas instrutoras mulheres dessa narrativa, demonstram o êxito da libertinagem nelas, retirando da mulher o lugar subalterno e virtuoso da sociedade de seu tempo.