Kant, Arendt e o caso Eichmann:: a incompreensão do imperativo categórico kantiano
Nathalia Rodrigues da Costa
- Autor
- Nathalia Rodrigues da Costa
- Revista
- Estudos Kantianos [EK]
- Edição
- 10 / 2
- Ano
- 2023
- DOI
- 10.36311/2318-0501.2022.v10n2.p97
- Páginas
- 97
- Idioma
- pt
No presente artigo, defendo que o pensamento de Kant é decisivo para a construção filosófica do relato de Hannah Arendt do julgamento de Adolf Eichmann. Na primeira seção, embasada na Fundamentação da Metafísica dos Costumes e em Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal, mostro como, a partir da obra de Kant, Arendt analisa três equívocos de Eichmann em relação à moral kantiana, são eles: a confusão entre legalidade e moralidade, a ausência de autonomia da vontade e a indistinção entre ações conformes ao dever e por dever. Na segunda seção, mostro como Arendt constrói a tese de que Eichmann é incapaz de exercer sua faculdade de pensamento (thoughtlessness), ou seja, incapaz de se colocar no lugar do outro, de alcançar um ponto de vista alargado, apoiando-se na filosofia moral e na estética de Kant.
