- Autor
- JÚLIO COUTO FILHO
- Orientador(a)
- FRANKLIN LEOPOLDO E SILVA
- Universidade
- UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2005
O conteúdo do presente estudo trata da solução apresentada por G.W. Leibniz (1.646-1716) para o problema da composição do contínuo em face da tradição filosófica, a partir de uma nova maneira de conceber as substâncias em geral e a matéria em particular. A abordagem do chamado """"labirinto do contínuo"""" por si só permite o vislumbre da coerência da metafísica leibniziana e o papel da concepção de substância simples ou individual (mônada) nesse contexto e também a importância de uma teoria das relações (de cunho lógico e ontológico). Um desdobramento conseqüente dessa investigação revela alguns aspectos de como o sistema filosófico de Leibniz se encontra estruturado, mesmo porque esse estudo se concentra no período da gênese de certos pressupostos da sua filosofia, possibilitando, assim, ainda que parcialmente, a sua reconstrução. Isto a partir de seus escritos de maturidade em que apresenta suas concepções de filosofia natural (desde 1.671 com as suas Hypothesis Physica Nova), que permaneceriam invariáveis até sua morte em 1.716. O que se observa no interregno desse período é, por um lado, o desenvolvimento da sua teoria da substância simples, que acompanha tanto a elaboração da sua crítica ao atomismo materialista quanto o desenvolvimento técnico do cálculo a partir de certos pressupostos (como o da aplicação de quantias discretas à quantidades contínuas); por outro lado, o acabamento teórico da concepção da matéria como substância composta e a apresentação da solução de alguns problemas decorrentes dessa mesma concepção (em face da lei de continuidade e de sua coerência) são concomitantes à crítica de Leibniz feita à física cartesiana verificada em sua correspondência com Malebranche, nas Animadversiones ad Partem Generalem Principiorum Cartesianorum (1.692) entre outros escritos. Certas peculiaridades da filosofia de Leibniz, tais como a conciliação da unidade com a multiplicidade, do contínuo com o discreto, do real com o ideal, também foram contempladas na observância da introdução da concepção de infinito atual no mundo; o que permitiu abordagens não somente de ordem ontológica e cosmológica, mas também gnosiológica. É no jogo das alternâncias de concepções realistas e idealistas que se afigura o próprio mundo leibniziano, mas também com a generalização da lei de continuidade transposta dos limites da física para o âmbito dos seres vivos e das suas distribuições hierárquicas. Esse mundo leibniziano mantém, assim, a sua ligação com um período da história do pensamento em que a representação das coisas pode finalmente ser pensada como infinita e dotada de objetividade, a despeito dos vários """"subjetivismos"""" e de a física exigir, cada vez mais, leis matemático-descritivas rigorosas em que os ideais metafísicos de justificativa dessas leis parecem se tornar obsoletos.Cumpre dizer também que se fez inevitável o tratamento da idéia leibniziana de mathesis compreendida como scientia rerum imaginabilium e, correlativamente, do caráter intelectualista do pensamento de Leibniz, do primado da idéia intelectual sobre a idéia sensível e da insuficiência da imaginação para o conhecimento das verdades de razão.
