- Autor
- Iuri Slavov
- Revista
- Griot : Revista de Filosofia
- Edição
- 26 / 2
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.31977/grirfi.v26i2.5793
- Páginas
- 198-213
- Idioma
- pt
Neste artigo, tenho como objetivo mostrar como as metáforas terapêuticas de Mente e mundo (1996), que constituem o principal objetivo desta que é a obra mais importante de John McDowell, remetem à uma postura wittgensteiniana adotada pelo autor. A conclusão é a indicação de que uma chave de leitura adequada a Mente e mundo depende de um esclarecimento acerca do wittgensteinianismo terapêutico de McDowell extraído da leitura do texto Wittgenstein on following a rule (1984) e do encaixe desse wittgensteinianismo com as metáforas terapêuticas de Mente e mundo. Para tanto, seguirei o seguinte percurso. 1 - mostrarei de que forma as metáforas de Mente e mundo dizem respeito a uma postura wittgensteiniana que remonta a uma disputa interpretativa travada por McDowell acerca do argumento do seguimento de regras nas Investigações Filosóficas (1953) de Wittgenstein. 2 - apresentarei brevemente o texto Wittgenstein on following a rule, no qual McDowell confronta soluções não terapêuticas ao problema do seguir regras à sua alternativa terapêutica, desde onde se pode delinear as características gerais do que seria um modelo de terapia filosófica. 3 - apresentarei brevemente uma leitura de Mente e mundo que enfoca no tratamento de duas propostas filosóficas, o coerentismo e o mito do dado, desembocando em duas alternativas de dissolução dessas propostas, a saber, a inextricabilidade kantiana entre conceitos e intuições, e a ideia de segunda natureza. A partir dessa leitura de Mente e mundo, alinharei seus aspectos metodológicos às características gerais obtidas na segunda parte do artigo.
