Limites e dissonâncias da razão comunicativa: uma crítica a partir do """"Problema da Estética""""
ARTHUR EDUARDO GRUPILLO CHAGAS
- Autor
- ARTHUR EDUARDO GRUPILLO CHAGAS
- Orientador(a)
- VIRGINIA DE ARAUJO FIGUEIREDO
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS — UFMG
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2012
A crítica da razão é tão antiga quanto ela mesma, pois a razão não passa disso: a capacidade de pôr as coisas em suspenso, subtrair-lhes fundamento, como se exige de um proprietário o seu título de propriedade. Em torno da metade do século XX, esta crítica parecer ter esgotado as possibilidades de se renovar, o que estimulou pensadores como Jürden Habermas à formulação de um conceito ampliado ou enriquecido de razão, que teria essencialmente duas vantagens sobre o modelo ultrapassado. A primeira diz respeito à aptidão desta figura renovada da razão para incluir o outro excluído da razão centrada na subjetividade, a saber, a experiência estética. A segunda incide sobre o modo como esta inclusão é realizada a partir de uma incorporação da razão à linguagem, consequentemente através de uma linguistificação da experiência estética. A presente tese propõe-se a investigar como esta estratégia conceitual, embora justificada, esbarra em limites que, a rigor, não deveriam ser imputados à própria racionalidade. A razão comunicativa, portanto, não deveria ser passível de uma crítica autofágica, algo assim como uma dialética negativa. Porém, na medida em que ela precisa levar em consideração o potencial cognitivo destes limites impostos pela linguagem que abre o mundo, ela interioriza pressupostos normativos dissonantes consigo mesma. Uma vez que a experiência com a arte oferece o exemplo mais claro deste potencial, sem deixar de levantar uma pretensão racional específica, ela tem a prerrogativa metodológica de permitir uma crítica à razão comunicativa que não se torna auto-referente, mas que se coloca a partir de um problema: o problema da estética.
