Mais-valor de código, mais-valor de fluxo e mais-valor maquínico: codificação e descodificação do excedente em Deleuze & Guattari
Émerson Pirola
- Autor
- Émerson Pirola
- Revista
- Griot : Revista de Filosofia
- Edição
- 26 / 1
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.31977/grirfi.v26i1.5679
- Páginas
- 180-195
- Idioma
- pt
Este artigo examina a reelaboração de Deleuze & Guattari da categoria marxiana de mais-valor em O anti-Édipo, expandindo-a para além do capitalismo. Os autores distinguem quatro tipos: o mais-valor de código, próprio das sociedades pré-capitalistas (primitiva e despótica), onde uma instância extraeconômica (moral, religiosa, política) domina a codificação dos fluxos e a extração do excedente é discernível, como no tributo ou corveia; o humano, da contradição capital x trabalho; o maquínico, do capitalismo avançado com a tecnociência; e o mais-valor de fluxo, que é intrinsecamente capitalista e engloba o humano e o maquínico. Um quinto tipo, o mais-valor financeiro, é mencionado em seminários. O mais-valor de fluxo é propriamente capitalista, operando sob descodificação generalizada, onde a instância econômica é determinante e dominante. Caracteriza-se por relações diferenciais entre fluxos de potências distintas, como financiamento e meio de pagamento, capital e trabalho (mais-valor humano), e mercado e inovação tecnocientífica (mais-valor maquínico). O mais-valor financeiro atua na integração dos mais-valores humano e maquínico no mais-valor de fluxo. O mais-valor maquínico destaca a centralidade do conhecimento e da tecnociência, onde o trabalho humano se torna "maquínico" e adjacente aos processos produtivos. A natureza imensurável e o comando não localizável são traços essenciais do mais-valor de fluxo, que se manifesta como uma força econômica impessoal.
