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Maquinação e Vivência: o homem como ser tecnopolítico

Soraya Guimarães Hoepfner

Autor
Soraya Guimarães Hoepfner
Revista
Cadernos de Ética e Filosofia Política
Edição
1 / 18
Ano
2011
DOI
10.11606/issn.1517-0128.v1i18p197-220
Páginas
197-220
Idioma
pt
2011Soraya Guimarães Hoepfner. Maquinação e Vivência: o homem como ser tecnopolítico. Cadernos de Ética e Filosofia Política, v. 1, n. 18, p. 197-220, 2011.2

Neste artigo, elaboraremos uma compreensão para o sentido do político que tem como base filosófica o pensamento de Martin Heidegger e sua interpretação do termo grego Polis [πόλις] como “lugar historial” [Geschichtesstätte]. É a partir desse pensamento inicial que apresentaremos então nossa ideia do político como deslocamento essencial da existência humana. Desenvolveremos nosso argumento não somente a partir de referências explícitas que faz Heidegger ao conceito de Polis, mas também através de uma breve análise de dois conceitos-chave cunhados por ele no final dos anos 30: maquinação [Machenschaft] e vivência [Er-lebnis]. Será através destes conceitos, mas também de como a partir deles se relacionam técnica e história, que nós delinearemos o sentido do político como deslocamento essencial da humanidade, o qual, por sua vez, estabelece o caráter básico do que por fim denominaremos de existência tecnopolítica do homem. Desta maneira, a reflexão sobre o sentido do político nos conduzirá à compreensão do homem como ser técnico-político que, por sua vez, introduz uma questão fundamental: qual é o lugar da filosofia no espaço político? Como veremos, a compreensão filosófica do político suscitará a questão de qual é o lugar possível para o pensamento filosófico em nossa sociedade, ou seja, em termos de um posicionamento político, nos permitirá colocar a própria filosofia em questão