Memória ética e reparação nas teses sobre o conceito da história de Walter Benjamin
Lidnei Ventura
- Autor
- Lidnei Ventura
- Revista
- Veritas (Porto Alegre)
- Edição
- 65 / 3
- Ano
- 2021
- DOI
- 10.15448/1984-6746.2020.3.36726
- Páginas
- e36726
- Idioma
- pt
O presente artigo discute o conceito de memória ética em Walter Benjamin a partir das teses Sobre o conceito da história. Argumenta-se que a partir deste autor se pode atribuir um papel ético e reparador às investigações acerca dos fenômenos humanos, retirando-os do lugar comum de “fatos sociais” e reivindicando-se uma memória ética na sua intepretação, que desde o início está comprometida em “escovar a história a contrapelo”. Isso significa escavar as ruínas dos monumentos e documentos de cultura e extrair deles o seu teor de documentos de barbárie. A partir da alegoria do Angelus Novus, apresentada pelo autor na IX Tese, sugere-se que a função do método de investigação histórica é de despertar as vozes que foram silenciadas pela versão oficial da história, iluminando o presente com rememorações prenhes de compromisso ético com uma noção de história que não tem fim em si mesma, mas que foi forjada sobre o jugo das opressões dos vencedores. Sugere-se que a alegoria do Anjo se reporta à própria função social do investigador materialista, cujo compromisso é preencher o “tempo vazio e homogêneo” com o “tempo de agora” [Kairós], rico em histórias e memórias dos esquecidos.
