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MERLEAU-PONTY: ACERCA DA EXPRESSAO

MARCOS JOSE MULLER

Tese
Autor
MARCOS JOSE MULLER
Orientador(a)
GILVAN LUIZ FOGEL
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2000
2000MARCOS JOSE MULLER. MERLEAU-PONTY: ACERCA DA EXPRESSAO. 2000. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, RJ. Orientador(a): GILVAN LUIZ FOGEL.4

Este trabalho trata da filosofia de Maurice Merleau-Ponty, que é uma reflexão nos fenômenos considerados a partir das experiências às quais estamos indissociavelmente vinculados. Ela não toma por base """"a verdade"""" que algum pensamento presuma existir, mas o nascimento dos fenômenos junto às partes de nosso corpo e junto aos dados sobre os quais este se aplica. A despeito da tradição cartesiana, que não reconhece, nas experiências, senão eventos subsidiários de nossa existência. Merleau-Ponty admite, nelas, um poder criador. Os fenômenos são as totalidades desencadeadas por esse poder. E a expressão é o nome com o qual Merleau-Ponty designa a esse poder. Mas em que termos a reflexão filosófica pode tomar por base a experiência? Em que medida, assim procedendo, ela esclarece capacidade da experiência para exprimir fenômenos? Tanto quanto os fenômenos percebidos, os pensamentos não prescindem de partes sensíveis, muito especialmente, das partes que são nossos dispositivos anatômicos. Ainda que disponhamos de pensmentos já falados e quase-silenciosamente conservados, nunca os retomamos senão por meio de gestos verbais que os venham transformar em benefício de novos pensamentos. E é em função dessa indeclinável gestualidade de nossos pensamentos que o discurso merleau-pontyano pode pretender refletir nos fenômenos a partir da experiência. Tal como Schelling - que compreende, na finitude da reflexão, o princípio no qual a filosofia deve se pautar para refletir na natureza finita - , Merleau-Ponty vislumbra, na inexorável gestualidade do pensamento, o ponto de tangência entre a reflexão e as demais experiências de nossa existência. A experiência do pensamento é um caso do poder expressivo que habita nossa demais experiências. E os pensamentos expressos, a manifestação analógica dos demais fenômenos. Um modelo quase-leibniziano, não fosse a diferença de que as experiências expressivas, para Merleau-Ponty, não estão harmonizados de antemão.