- Autor
- Pedro Paulo Pimenta
- Revista
- Discurso
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.11606/issn.2318-8863.discurso.2025.244127
- Páginas
- 162-173
- Idioma
- pt-BR
Este ensaio analisa algumas diferenças importantes entre o manuscrito Archéologiedes sciences humaines, que traz o curso de Foucault na FFCL da USP no outono de 1965, e o texto de Les mots et les choses, publicado quase um ano mais tarde. Sugere-se, a partir de indicações teóricas fornecidas por Gérard Lebrun, que o lugar de Kant e do transcendental não estava ainda definido quando Foucault aportou em São Paulo, o que explica a importância menor, no manuscrito, da fenomenologia como ponto de referência no horizonte crítico de Foucault. Por fim, observa-se que é bem possível que essa mudança tenha decorrido de um diálogo com Lebrun, que à época vinha meditando precisamente sobre a noção kantiana de finitude como marca distintiva da Crítica da razão pura em relação aos grandes sistemas da “idade clássica”.
