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Michel Houellebecq contra Michael Foucault: representações contemporâneas do Islã político na França

Daniel Padilha Pacheco da Costa

Autor
Daniel Padilha Pacheco da Costa
Revista
Trans/Form/Ação
Edição
43 / 4
Ano
2020
DOI
10.1590/0101-3173.2020.v43n4.08.p147
Páginas
147-172
Idioma
pt
2020Daniel Padilha Pacheco da Costa. Michel Houellebecq contra Michael Foucault: representações contemporâneas do Islã político na França. Trans/Form/Ação, v. 43, n. 4, p. 147-172, 2020.4

Nas entrevistas e artigos jornalísticos de Michel Foucault sobre a Revolução Iraniana, escritos do final de 1978 até meados de 1979, e no romance de antecipação política Submissão (2015), de Michel Houellebecq, ambos os autores parecem oferecer representações positivas do Islã político. Neste artigo, argumentamos que essa interpretação repousa sobre um duplo equívoco: embora Foucault não tenha cunhado a noção de espiritualidade política como alternativa para a crise dos sistemas políticos liberal e marxista, conforme seus críticos erroneamente o acusaram, mas como um conceito capaz de descrever as aspirações dos iranianos testemunhadas em suas viagens ao país, Houellebecq retomou, em Submissão, essa suposta representação positiva do Islã político pelo principal teórico da French Theory, com vistas a apresentar, ironicamente, a islamização como a solução para a crise econômica e sexual enfrentada pela sociedade francesa contemporânea e, assim, denunciar os herdeiros dessa representação como colaboracionistas.