- Autor
- Silvana de Souza Ramos
- Revista
- Princípios: Revista de Filosofia (UFRN)
- Edição
- 27 / 52
- Ano
- 2020
- DOI
- 10.21680/1983-2109.2020v27n52ID19783
- Páginas
- 199-212
- Idioma
- pt
O livro de Federici, O Calibã e a Bruxa, se articula a partirde três eixos: a crítica aos limites das análises de Marx no intuito deexplicar a gênese do capitalismo uma vez que negligenciam o papeldas mulheres neste processo; a crítica à genealogia foucaultiana daModernidade, uma vez que, ao dar centralidade ao caráter produtivodo poder, deixa de lado a análise da repressão estatal como elementodecisivo para o adestramento do comportamento das mulheres; porfim, a pesquisa em torno do fenômeno histórico de caça às bruxas,ocorrido na Europa entre os séculos XVI e XVII, ou seja, durante aascensão do capitalismo enquanto modo de produção preponderanteno Ocidente. Meu objetivo é realizar uma apresentação destes trêseixos, dando ênfase ao diálogo de Federeci com Foucault. Trata-se,por um lado, de apresentar a posição da autora com relação à genealogiada mulher no interior da ordem capitalista, a qual se constróiprincipalmente em torno de uma discussão com o livro História daSexualidade I, e, por outro, de mostrar que as questões levantadas porela ganham maior envergadura se tomamos Vigiar e Punir enquantoobra responsável pelo diálogo entre os dois autores.
