Múltiplas coisas ou Coisas Múltiplas? - Dois sentidos para o Paradoxo de Zenão no "Parmênides" de Platão
Renato Matoso
- Autor
- Renato Matoso
- Revista
- Voluntas: Revista Internacional de Filosofia
- Edição
- 11 / 1
- Ano
- 2020
- DOI
- 10.5902/2179378643310
- Páginas
- 52 - 69
- Idioma
- pt
Neste artigo, examino a duplicidade de sentidos que a tese pluralista “os seres são múltiplos” ou “se há múltiplos seres” (πολλά ἐστι τὰ ὄντα) comporta: pode significar uma multiplicade numérica, isto é: a tese de que há mais de uma coisa no mundo, assim como pode significar que uma mesma coisa possui mais de um atributo. Incialmente, argumento que Sócrates estava consciente desta ambiguidade, pois as duas compreensões de pluralismo representam perspectivas complementares de uma mesma posição filosófica. Segundo minha interpretação, o reconhecimento dessa ambiguidade permite melhor entender a crítica de Sócrates ao monismo eleático, sua defesa da Teoria das Ideias e sua distinção entre Formas transcendentes e propriedades imanentes. Estes dois sentidos de multiplicidade farão ainda parte da estratégia utilizada por Parmênides na sua contra-argumentação à solução socrática ao paradoxo de Zenão.
