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“Não matarás!”: o vestígio de Deus no acontecimento ético do rosto em Emmanuel Lévinas

Carlos Rafael Pinto

Autor
Carlos Rafael Pinto
Revista
Revista Ágora Filosófica
Edição
26 / 2
Ano
2026
DOI
10.25247/P1982-999X.2026.v26n2.p93-112
Páginas
92-110
Idioma
pt
2026Carlos Rafael Pinto. “Não matarás!”: o vestígio de Deus no acontecimento ético do rosto em Emmanuel Lévinas. Revista Ágora Filosófica, v. 26, n. 2, p. 92-110, 2026.3

Este artigo investiga o acesso a Deus e o seu significado a partir do pensamento de Emmanuel Lévinas, ainda que Friedrich Nietzsche tenha anunciado, no século passado, a “morte de Deus”, e Michel Foucault tenha diagnosticado, nos escritos nietzschianos, a “morte do homem”. A reflexão centra-se no conceito levinasiano do rosto do outro como fonte originária da significação ética e da expressão primeira da transcendência. Na nudez desse rosto, o Infinito manifesta-se no finito, revelando-se por meio do apelo ético expresso no mandamento: “Não matarás!”. Nessa perspectiva, o rosto do outro constitui o lugar primordial da relação com Deus, que se revela não como presença objetiva, mas como retirada, cuja passagem se inscreve como vestígio. Sustenta-se, portanto, a hipótese de que o significado da palavra “Deus” pode ser reconstituído como l’échafaudage, a partir do acontecimento ético do rosto.