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NAQUELE TEMPO EM QUE DERRIDA ERA ESCRIBA E OS HIERÓGLIFOS MUDOS

Carlos Carvalhar

Autor
Carlos Carvalhar
Revista
Sapere Aude
Edição
15 / 30
Ano
2025
DOI
10.5752/P.2177-6342.2024v15n30p992-1005
Páginas
992-1005
Idioma
pt
2025Carlos Carvalhar. NAQUELE TEMPO EM QUE DERRIDA ERA ESCRIBA E OS HIERÓGLIFOS MUDOS. Sapere Aude, v. 15, n. 30, p. 992-1005, 2025.2

O objetivo deste artigo é discutir o papel dos hieróglifos egípcios no pensamento de Derrida, através de uma contextualização histórica, ainda que breve. Ao historizar o desenvolvimento da compreensão do significado da escrita hieroglífica, veremos que Derrida, quando aponta o Egito, retoma a discussão do séc. XVII – XVIII com relação à linguagem natural e às interpretações místicas dos hieróglifos. Discussão essa bem exemplificada pela crítica materialista de Warburton à leitura alegórica de Kircher, o qual extrapolou as opiniões da Renascença que redescobria autores da Antiguidade como Horapolo. Devido a essa leitura, será possível também identificar o conhecimento de Derrida sobre os estudos do Egito Antigo, suficiente para que tenha sido caricaturado como um escriba, mas inferior ao nível do especialista. Em segundo momento, a escrita é posta em discussão de acordo com os duplos fármacos de Platão no Fedro, o qual instaura o logocentrismo e a valorização da fala em detrimento da escrita, considerada, até Derrida, como algo inferior e de segunda ordem.