- Autor
- Claudio Eduardo Muller Banzato
- Orientador(a)
- Osmyr Faria Gabbi Júnior
- Universidade
- UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 1997
A tese central desenvolvida neste estudo é a de que embora Freud modifique o significado das noções de """"consciencia"""" e de """"eu"""", efetuando uma separação conceitual entre ambas, a psicanálise freudiana conserva uma noção central das assim denominadas """"filosofias da consciência"""" de inspiração cartesiana, a saber, a noção de """"representação"""", pelo menos durante o periodo em que a examinamos: 1891-1915. Aponta-se para uma certa semelhança estrutural, na medida em que a representação é tematizada enquanto conteudo interno, como se fosse uma espécie de coisa. Em outras palavras, a metapsicologia, de matriz naturalista, seria, por assim dizer, tributária do vocabulário da imanência. Por outro lado, a falta de identidade entre consciência e eu parece insuficiente por si só para evitar que ambas as noções retenham certas características estabelecidas pela tradição cartesiana: a) a consciência, em parte naturalizada, permanece como órgão de percepção interna; mesmo a precariedade de seus rendimentos não permite, entretanto, descartá-la inteiramente enquanto fonte primária de evidência, e b) o pronome pessoal """"eu"""" recebe tratamento de nome, sendo além disso reificado em instância, ou seja, o eu deixa de coincidir com o sujeito empírico para integrar sua composição na qualidade de mediador psíquico semi-autônomo. Em suma, a continuidade sugerida (em que pese a originalidade de terreno) decorreria do compromisso reafirmado por Freud com a idéia de interioridade, cuja larga assimilação é um dos traços distintivos da cultura ocidental moderna.
