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Natureza e degradação moral em Jean-Jacques Rousseau

Marcos Ribeiro Balieiro

Autor
Marcos Ribeiro Balieiro
Revista
Cadernos de Ética e Filosofia Política
Edição
2 / 21
Ano
2012
DOI
10.11606/issn.1517-0128.v2i21p56-63
Páginas
56-63
Idioma
pt
2012Marcos Ribeiro Balieiro. Natureza e degradação moral em Jean-Jacques Rousseau. Cadernos de Ética e Filosofia Política, v. 2, n. 21, p. 56-63, 2012.4

O tom pessimista adotado por Rousseau em seu Discurso sobre as Ciências e as Artes e em seu Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens chama a atenção até mesmo do leitor mais desavisado. De fato, quando observamos o tom adotado pelo autor nesses dois textos, não é de espantar que ele tenha dedicado boa parte de sua obra a propor o que poderia ser entendido como um punhado de tentativas de solução para os problemas que nos são apresentados nos trabalhos entregues à Academia de Dijon. Por outro lado, os movimentos que observamos nos dois Discursos parecem deixar claro que, para Rousseau, a decadência que ele observava na sociedade de seu tempo seria o resultado inevitável de um processo que, uma vez colocado em curso, não permitiria escapatória, o que bastaria para transformar obras como Do Contrato Social em pouco mais que ferramentas úteis para diagnosticar os malefícios que acometessem uma sociedade. É precisamente a tensão entre esses dois pontos de vista, o da constatação desesperada de nossa decadência e o do autor que parece trabalhar em uma obra que possa promover mudanças, que constituirá o fio condutor deste artigo.