- Autor
- Rodrigo Hayasi Pinto
- Revista
- ARARIPE — REVISTA DE FILOSOFIA -
- Edição
- 6 / 1
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.56837/Araripe.2025.v6.n1.1488
- Páginas
- 45-61
- Idioma
- pt
O presente artigo visa explorar a noção de autoconhecimento em Blaise Pascal. O homem pascaliano, para conhecer a si próprio, precisa se visar sob dois vieses: enquanto criatura e enquanto pecador. Enquanto criatura, o homem se descobre um nada, ao menos no que toca a sua desproporção com o infinitamente grande e com o infinitamente pequeno. Enquanto pecador, o homem deve reconhecer o vazio infinito que possui dentro de si, um vazio do tamanho de Deus. No entanto, ainda que seja uma decorrência do pecado original, não é necessário que se recorra à teologia para que tal vazio seja diagnosticado, bastando, para tal, uma análise da vida cotidiana, marcada ela toda pela dinâmica do divertimento/tédio. Conclui-se que somente ao encarar a negatividade que perpassa o processo de autoconhecimento é que o homem pascaliano pode, paradoxalmente, reconhecer sua dignidade.
