- Autor
- THELMA SILVEIRA DA MOTA LESSA DA FONSECA
- Orientador(a)
- CARLOS ALBERTO RIBEIRO DE MOURA
- Universidade
- UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2001
O que se pode aprender com um autor tão fascinante justamente por desencorajar cada ensaio de síntese que se pretende alcançar acerca de seu pensamento? Coisa alguma, ou, talvez, o apreço pelo exercício e o prazer extraído da tentativa. Desse tipo de teimosia nada se pode extrair exceto um relato dos sucessivos fracassos resultantes do contínuo exercício da busca de soluções novas. Quando se lê Nietzsche com a expectativa de resposta aos problemas clássicos da história da filosofia, não se encontra solução alguma e, nesse sentido, há que se dar razão aos seus opositores. Entretanto, há ainda a possibilidade de entendê-lo como um autor que quis, antes de mais nada, questionar o valor dos pressupostos básicos dos tradicionais problemas filosóficos. Deste ponto de vista, o problema está nas perguntas, e não nas respostas insatisfatórias. Aqui, a hipótese é a de que Nietzsche desdenhou das preocupações que originaram certas perguntas. A tese a seguir é o relato datentativa de ler Nietzsche como um filósofo que, com a clareza de se saber um autor umbilicalmente inserido na história da filosofia, buscou circunscrever o tipo de preconceito que contaminou seu próprio pensamento e soube tirar dessa situação seu sustento com o objetivo de superar a si mesmo. Cabe, portanto, entendê-lo como um autor que, ao invés de responder às nossas antigas indagações, preferiu questionar a validade delas e, com isso, abrir espaço para novos problemas e expectativas inusitadas.
