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Nietzsche e a experiência religiosa da imanência na cultura trágica dos gregos e na práxis crística originária.

RENATO NUNES BITTENCOURT

Tese
Autor
RENATO NUNES BITTENCOURT
Orientador(a)
ANDRE MARTINS VILAR DE CARVALHO
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2010
2010RENATO NUNES BITTENCOURT. Nietzsche e a experiência religiosa da imanência na cultura trágica dos gregos e na práxis crística originária.. 2010. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, RJ. Orientador(a): ANDRE MARTINS VILAR DE CARVALHO.2

Esta tese versa sobre a importância do princípio de individuação no desenvolvimento cultural da civilização apolínea, conforme as pesquisas de F. Nietzsche apresentadas ao longo de O nascimento da Tragédia. O """"princípio de inviduação"""" é o processo de criação do ser individual como figura delimitada pelas categorias do espaço e do tempo, circunstância que favorece a distinção precisa entre o """"eu"""" e o """"outro"""", ou seja, a compreensão íntima da identidade pessoal. Em decorrência desses fatores, surgiriam as prédicas apolíneas de """"Nada em excesso"""" e """"Conhece-te a ti mesmo"""", pois é a partir da compreensão dos seus próprios limites individuais que o ser humano se tornaria capaz de agir de maneira equilibrada em sua vida cotidiana, respeitando, para tanto, a individualidade alheia e garantindo assim a manutenção da ordem social. A tese versa sobre de que modo a weltschauung grega da denominada era """"trágica"""" compreendia a existência como uma surpreendente confluência entre a vida e a morte, e de que maneira tal percepção servia como uma glorificação incondicional da existência. Morte e vida são instâncias indissociáveis, e ao compreenderem intrinsecamente essa dinâmica existencial, os antigos gregos, conforme a interpretação dos pesquisadores, alcançaram uma jubilosa compreensão do valor da vida e da própria morte, evitando-se assim a imersão da antiga cultura grega numa espécie de pessimismo prático, decorrente da falta de sentido para a existência. pretendemos deter-nos na análise de Nietzsche acerca da ideia de beatitude crística tal como apresentada em O Anticristo, e de que maneira essa vivência religiosa se fundamenta numa base axiológica imanente. Certamente o elemento mais surpreendente dessa perspectiva reside no fato de que Nietzsche, um filósofo contrário aos parâmetros axiológicos da moralidade cristã instituída, constata a presença de elementos afirmativos e jubilosos na prática evangélica de Jesus, um ?espírito livre?. Nietzsche interpreta a ideia de ?Reino dos Céus? como uma experiência do coração, um estado de beatitude decorrente da compreensão da unidade efetiva entre o homem e o divino, destituída de qualquer determinação moral. Mais ainda, tal como detectado por Nietzsche, a ideia de dor na vivência crística originária, ao invés de compactuar com uma depreciação da.existência, tal como realizado pela moralidade cristã, em verdade representa a sua mais.significativa aprovação.