- Autor
- DANILO BILATE DE CARVALHO
- Orientador(a)
- ANDRE MARTINS VILAR DE CARVALHO
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2012
Esta tese é uma tentativa de estabelecer uma ética a partir do pensamento de Nietzsche. Na primeira parte de nosso trabalho, expomos a maneira pela qual propomos ler os textos nietzschianos. Na segunda parte, realizamos um trabalho filológico para compreender o sentido do termo alemão """"Ethik"""" tal como ele é utilizado por Nietzsche e dos termos gregos """"ethos"""" e """"pathos"""" para estabelecer um plano semântico que defina uma ética. Concluímos que ela deve ser aproximada de uma psicofisiologia. Será preciso mostrar que uma ética se apoia na possibilidade do eu governar o corpo e que ela se diferencia da moral por causa da valorização da individualidade. Na terceira parte, descrevemos alguns afetos, os classificando como favoráveis ou desfavoráveis para a vida, a fim de fazer do conhecimento ético a fonte de informações de que dispõe o indivíduo para aumentar o poder de seu próprio corpo. Assim é possível perguntar se a ética pode definir, a partir dessa exposição e dessa análise, um modelo de homem que ilustraria uma hierarquia afetiva própria a um corpo são e poderoso. Parece-nos evidente que esse modelo pode ser elaborado a partir de um estudo ético. Mas poderíamos procurar esses modelos na história que sejam reais e concretos? Com efeito, eles nos forneceriam a ocasião para realizar a posteriori uma pesquisa histórica específica, seguindo os critérios nietzschianos, que forneceria, por sua vez, várias informações a propósito de sua constituição afetiva. Ora, considerando que trabalhamos com Nietzsche, quando colocamos a questão mencionada acima, nós colocamos necessariamente em cena o conceito nietzschiano de “além-do-homem” (em alemão Übermensch). Esse conceito seria uma tentativa – ou até uma tentativa eficaz – de Nietzsche de estabelecer um modelo afetivo de um indivíduo forte? E teria ele uma correspondência histórica? De fato, Zaratustra afirma que “o que é grande no homem é que ele é uma ponte e não um fim: o que se pode amar no homem é que ele é uma transição e que ele é um declínio”. Se nós tomamos essa afirmação à sério, o além-do-homem deve ser necessariamente entendido como um ideal e somente como um ideal, isto é, como um eterno porvir. Isso porque o homem será sempre uma transição para um novo ideal.
