- Autor
- SILKE KAPP
- Orientador(a)
- RODRIGO ANTÔNIO DE PAIVA DUARTE
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS — UFMG
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 1999
Non satis est são as primeiras palavras de um verso da Arte Poética de Horácio que assinala a diferença entre as regras da poesia e os seus efeitos: """"não basta serem belos os poemas: devem emocionar e conduzir a alma do ouvinte aonde quiserem"""". O belo é a conformidade às regras; comover é outra coisa. Eis também o que diversas teorias estéticas entre fins do século XVII e meados do século XVIII tentam compreender. Elas têm por ponto de partida as pretensões de universalidade, necessidade e clareza das epistemologias racionalistas; pretensões que dão origem a um conceito do belo mais determinado por regras do que o de qualquer outra época. Ao mesmo tempo, tais teorias são marcadas pela experiência de que as obras de arte e os fenômenos naturais """"apenas"""" belos são, na verdade, entediantes. A constatação de que as regras do belo não garantem que um objeto agrade positivamente, leva as teorias estéticas à ênfase em categorias novas ou renovadas, como: sublime, entusiasmo, terror, grandeza, infinitude, estranheza, imaginação, emoção, obscuridade, desprazer. Todas essas categorias tentam conceituar qualidades que, do ponto de vista do belo regrado, representam ultrapassagens de limites ou """"excessos"""". Concretamente, tais excessos podem estar nas porções caóticas da natureza, nos jardins selvagens, nas ruínas, nos monstros, nas representações """"supersticiosas"""" da arte e da literatura antigas, nas maravilhas da poesia de Milton ou Shakespeare, na visão quixotesca do mundo, nas tragédias, nos terremotos, nas guerras e nas execuções públicas. Tudo isso é apreciado pelo público do esclarecimento; e, muitas vezes, mais apreciado do que o próprio belo.
